A década de 1930 foi marcada pela Queda da Bolsa de Nova Iorque, em 1929, que deu início a um período de depressão económica que terminou com o início da II Grande Guerra Mundial, em 1939. Na Europa vivia-se num clima de agitação social e económica que levou à eclosão de regimes totalitários, Salazar em Portugal, Franco em Espanha, Mussolini em Itália, Estaline na Rússia e Hitler na Alemanha.
O cinema de Hollywood saltava fronteiras e transformava-se numa referência relativamente aos hábitos e modas. As actrizes de cinema, como Greta Garbo e Marlene Dietrich, com o seu glamour inspiravam as mulheres e tornavam-se modelos a seguir. Os ídolos masculinos que se destacavam eram Gary Cooper e Clark Gable.
Em Portugal, a produção cinematográfica e a restante comunicação social estavam condicionadas pelo poder político, veiculando a ideologia do regime. O filme “A Canção de Lisboa” (1933) de Cottinelli Telmo fez a transição do mudo para o sonoro com grande êxito.
Os tecidos mais apreciados eram os crepes e os cetins que se moldavam ao corpo. As peças de malha ou “jersey”, que entraram na moda na década anterior continuavam a fazer furor. A sua leveza e maleabilidade permitiam uma liberdade de movimentos muito adequada à prática desportiva, como o ténis, o golfe ou a natação. Sendo também muito apreciadas para uso quotidiano, na forma de camisolas ajustadas ao corpo, casacos, saias ou vestidos.
A paleta de tons era colorida e os padrões diversificados, dos motivos geométricos aos motivos florais e vegetalistas, de pequenas ou grandes dimensões.
Madeleine Vionnet (1876-1975) marcou a silhueta feminina nesta década ao criar o corte em viés, que consistia em cortar e aplicar os tecidos na diagonal. Esta técnica dava às peças uma elasticidade e fluidez muito apreciadas, ajustando-se aos contornos femininos de forma sensual. As experiências que realizou no âmbito do corte e da estrutura permitiam que os seus vestidos modelassem e suportassem os corpos, dando ao mesmo tempo a impressão de liberdade e movimento.
Elsa Schiaparelli (1890-1973) conhecida pelas suas criações ligadas ao movimento surrealista, usava a moda com expressão artística. Concebeu acessórios de formas inesperadas como a “bolsa telefone” e usou temáticas decorativas extravagantes e inovadoras, como o circo e a astrologia. Uma das peças mais icónicas é o seu vestido pintado com uma lagosta e ramos de salsa. Foi também uma das primeiras estilistas a abrir uma loja “Pour le Sport” que vendia roupa desportiva e de lazer de malha.
Os casacos de pele eram o sonho de qualquer mulher, sendo que os de pelo curto eram mais acessíveis do que os de pelo longo. Também existiam códigos para a sua utilização, durante o dia aconselhava-se a marta, o castor e o carneiro, e durante a noite, a zibelina, o arminho e a chinchila.
Os cabelos eram usados um pouco mais compridos do que na década anterior, armados por pequenas e suaves ondulações. Os chapéus de pequeno formato e muito criativos eram um acessório indispensável em qualquer toilette. Outro formato que se mantinha em voga eram capelines, de abas largas. No calçado eram muito apreciados os sapatos bicolores para o quotidiano.
Um estilo de vida moderno implicava praticar exercício físico ao ar livre e fazer caminhadas. O costume de ir à praia continuava a ganhar adeptos e ficar bronzeado tornou-se sinónimo de poder económico e social. Para estas ocasiões o traje necessitava ser prático e ligeiro, tendo-se tornado aceitável o uso de calças e calções curtos. Os fatos de banho de malha elástica foram uma grande novidade porque não deformavam e usavam-se em tons vivos, como o vermelho, o amarelo e o verde.
O fraque e a casaca continuaram a marcar as ocasiões solenes e o smoking era o mais adequado para as festas nocturnas. Contudo, observam-se algumas mudanças ao nível dos detalhes, tais como a amplitude dos casacos, as variações dos colarinhos e o comprimento das calças.
As gravatas mais usuais continuavam a ser de tons sóbrios e escuros, mas alguns homens ousavam usar gravatas com padrões e cores, em contextos informais, artísticos e de lazer. Outro elemento que marcou o guarda-roupa masculino foi o sobretudo assertoado, amplamente divulgado pelo cinema e que rapidamente conquistou o apreço masculino. De cabelo curto com brilhantina, cara escanhoada com ou sem bigode, os homens faziam-se acompanhar por chapéus consoante as circunstâncias, o chapéu de copa mole para o quotidiano, a cartola para as ocasiões formais, o boné e o chapéu de palhinha para o lazer ou trabalho. Dina Caetano Dimas
Dina Caetano Dimas
BOUCHER, François - Histoire du Costume en Occident de l’Antiquité a nos jours. Paris : Flammarion, 1965.
CARDIM, Valter Carlos - A moda em Portugal : 1914 a 1959. Lisboa : IADE, 2013.
Décadas de moda. [Köln] : Könemann, cop. 2004.
FOGG, Marnie (dir.) - Tout sur la mode, panorama des mouvements et des chefs-d’oeuvre. Paris : Flammarion, 2013.
PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; PINTO, Clara Vaz (coord.). Museu Nacional do Traje & Parque Botânico do Monteiro-Mor. Vila do Conde : QuidNovi, 2011.
Cândida Caldeira
Dina Caetano Dimas