Na década de 1940, distante dos cenários de guerra, Portugal vivia uma vida mundana repleta de recepções diplomáticas, festas e inaugurações públicas. Em 1940, o Governo realizava a Exposição do Mundo Português, evento de grandes dimensões que funcionou como propaganda do regime. Mas, de uma forma geral, evitavam-se os grandes luxos e a exteriorização da riqueza em solidariedade com a Europa.
Ao mesmo tempo, a passagem por Lisboa de refugiados europeus a caminho da América ou de outros destinos trouxe uma lufada de ar fresco à sociedade portuguesa através de modas novas e costumes mais descontraídos.
O cinema de Hollywood mantinha o seu ideário de sonho e as estrelas que mais se destacavam eram Rita Hayworth, Ingrid Bergman, Ava Gardner e Lauren Bacall. Enquanto os estilos de música popular que marcavam esta década eram “swing” e o “bebop”.
As mulheres vestiam tailleurs com cintura bem marcada, saia de linha direita, ombros enchumaçados e amplos bolsos, que davam à sua silhueta uma postura masculina, de inspiração quase militar.
Os vestidos de dia complementavam-se com cintos e botões aplicados na frente. Os simples vestidos pretos, muito apreciados, eram adornados com golas e punhos brancos. Com a natural escassez de materiais, o mote era “improvisar e remendar”. Assim, as mulheres reutilizavam tecidos antigos para criar novos modelos com resultados inesperados.
Os cabelos usavam-se apanhados no topo da cabeça arranjados com caracóis, suprindo assim o uso dos chapéus. Na cabeça usavam-se lenços, redes de malha e turbantes. Os sapatos de cunha de cortiça compensavam a escassez de couro. As meias de seda e nylon, muito cobiçadas, nem sempre eram fáceis de encontrar.
Ao terminar a guerra, Paris queria voltar a demonstrar a sua liderança no mundo da moda. Para atingir esse objectivo foram tomadas várias medidas, entre elas a criação de 237 manequins miniatura com versões de Alta Costura que depois de expostos no Louvre percorreram o mundo com a denominação de “Teatro da Moda”.
Na senda desta tendência, em 1947, o costureiro francês Christian Dior (1905-1957) apresenta uma nova silhueta muito feminina e luxuosa, em oposição ao traje funcional do tempo de guerra, e que irá marcar a próxima década.
O fraque com calças de fantasia e a casaca continuaram a marcar as ocasiões solenes. O smoking era o mais adequado para as festas nocturnas. O smoking branco, simples ou trespassado, usado com calças pretas e laço da mesma cor, era o preferido para jantares formais em época estival, tendo sido inspirado no traje dos oficiais britânicos em climas tropicais.
O chapéu mais comum desse período era o chapéu de feltro de copa mole, denominado de Fedora ou Borsalino, usado com a ponta para baixo sobre um dos olhos para dar estilo. Outro chapéu apreciado era o Homburg, mais conservador, que começou a ser usado com roupas de noite semi-formais, em substituição da cartola. Esta última passou a ser usada com traje exclusivamente formal. As gravatas podiam ser simples e discretas, mas os mais ousados usavam-nas largas e curtas com padrões geométricos, como listras ou quadriculados.
Dina Caetano Dimas
Dina Caetano Dimas
BOUCHER, François - Histoire du Costume en Occident de l’Antiquité a nos jours. Paris : Flammarion, 1965.
CARDIM, Valter Carlos A moda em Portugal : 1914 a 1959. Lisboa : IADE, 2013.
Décadas de moda [Köln] : Könemann, cop. 2004.
FOGG, Marnie (dir.) Tout sur la mode, panorama des mouvements et des chefs-d’oeuvre. Paris : Flammarion, 2013.
PORTUGAL. Museu Nacional do Traje; PINTO, Clara Vaz (coord.). Museu Nacional do Traje & Parque Botânico do Monteiro-Mor. Vila do Conde : QuidNovi, 2011.
Cândida Caldeira
Dina Caetano Dimas