Escultura

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AX.671
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 19/20
  • Dimensões (cm): Alt. 8,8
  • Descrição: Escultura em marfim representando uma figura humana, erecta, de braços destacados e paralelos ao corpo. O rosto apresenta um contorno triangular, no topo da cabeça duas protuberâncias projetadas na vertical, semelhantes a dois seios.
  • Origem/Historial: Pequena escultura que pertencia aos apetrechos rituais de um "nganga", sacerdote e operador ritual qualificado, habilitado a manipular os "minkisi", figuras que materializam as forças da terra invisível dos mortos e que sob o controlo humano atuavam ao nível pessoal, político e económico dentro das comunidades Kongo. «No pensamento dos povos Kongo, um "nkisi" (pl. "minkisi") era uma força personalizada da terra invisível dos mortos que tinha escolhido, ou sido induzida a submeter-se a um certo grau de controlo humano efetuado através de rituais. O perito que conduzia tal ritual era o "nganga" (operador ou sacerdote; pl. baganga) do nkisi. O ritual podia ser mais ou menos elaborado, demorar uns minutos ou muitos anos a ser completado e requerer a participação de qualquer número de pessoas, de um só indivíduo a uma aldeia inteira ou mais. Incluia habitualmente cantos, danças, restrições de comportamento, recintos especiais e espaços preparados, e um aparato material vagamente prescrito. O aparato material incluía instrumentos de música, a presença do nganga e dos seus pacientes, ou clientes, artigos de uso, remédios e, finalmente, um objeto central que era o próprio "nkisi" no sentido restrito de recetáculo da força que dava poder.» «Com certas exceções, a arte dos Kongo não é figurativa; para os seus criadores e utilizadores, o significado depende não apenas do contexto ritual de utilização, mas também das suposições cosmológicas, das teorias explicativas da sorte e da desgraça e, sobretudo, da língua Kikongo. Nestas obras, a relação entre a palavra e a imagem é muito mais íntima do que, por exemplo, entre um retrato e o seu título ou legenda. Cada elemento de uma complexa figura "nkisi" destina-se a evocar uma ou mais associações linguísticas, incluindo metáforas e trocadilhos que, em conjunto, podem ser "lidos" como um texto descrevendo os seus poderes e objetivos particulares. No decorrer da composição do "nkisi", o "nganga" cantava o nome de cada elemento e o seu significado. Infelizmente, essas vozes agora calaram-se e nunca mais vai ser possível elaborar um dicionário de significados porque grande parte da magia dos "minkisi" residia nas subtilezas da variação criativa.» (MacGaffey, 2000: 37-38)

Bibliografia

  • BASTIN, Marie-Louise - Escultura angolana. Memorial de culturas. Lisboa: MNE, 1994
  • HERREMAN, Frank, ed. lit. - Na Presença dos Espíritos: Arte Africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova York: Museum for African Art/Snoeck-Ducaju & Zoon, Gent, 2000
  • Museu de Etnologia do Ultramar - Povos e Culturas. Lisboa: JIU/MEU, 1972

Exposições

  • Povos e Culturas

    • Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa
    • Exposição Física
  • Na Presença dos Espíritos: arte africana do Museu Nacional de Etnologia

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • 27/2/2002 a 23/3/2003
    • Exposição Física
  • Escultura Angolana. Memorial de culturas

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • 2/2/1994 a 16/10/1994
    • Exposição Física
  • <strong>A cultura Kongo (Angola)</strong>

    • Exposição Online

Multimédia

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