Figura relicário

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AL.060
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Alt. 24,5
  • Descrição: Estatueta relicário em madeira, representando um homem de pé, de um naturalismo plástico, exprimindo simbolicamente a força ambivalente que a estatueta encarna. Mão esculpida na posição de empunhar um punhal. Relicário contendo ingredientes mágicos, com tampa de espelho, sobre o ventre; craneo inteiramente recoberto de um engobe ocre com cacos de espelho incrustrados. Olhos figurados por dois pedaços de espeço, nariz curvo e achtado, lábios carnudos. Rolo de pano vermelho em volta do pescoço, ao jeito de colar. Colar de pequenos tubos de cana tapados numa extremidade com massa castanha envolta por uma malha de fio, e na outra com rolha de trapo, contendo dentro ingredientes mágicos.
  • Origem/Historial: Os "minkisi" são figuras que materializam as forças da terra invisível dos mortos e que sob o controlo humano atuavam ao nível pessoal, político e económico dentro das comunidades Kongo. «O objeto da Fig. 25, pág. 45 [esta peça] é mais complexo e as suas funções são mais obviamente legíveis. O espelho está obscurecido por uma patina de oferendas rituais, mas isso não interfere com a detecção de bruxas. A figura tem um colar de "remédios" no qual estão penduradas "armas da noite" para matar bruxas, sendo cada arma um "nkisi" em miniatura. A mão direita levantada, que outrora segurava uma faca, confirma a impressão de se tratar de um "nkisi" agressivo invocado para combater a bruxa desconhecida suspeita de prejudicar o cliente do "nganga". O estilo é característico dos Ngoyo.» «No pensamento dos povos Kongo, um "nkisi" (pl. "minkisi") era uma força personalizada da terra invisível dos mortos que tinha escolhido, ou sido induzida a submeter-se a um certo grau de controlo humano efetuado através de rituais. O perito que conduzia tal ritual era o "nganga" (operador ou sacerdote; pl. baganga) do nkisi. O ritual podia ser mais ou menos elaborado, demorar uns minutos ou muitos anos a ser completado e requerer a participação de qualquer número de pessoas, de um só indivíduo a uma aldeia inteira ou mais. Incluia habitualmente cantos, danças, restrições de comportamento, recintos especiais e espaços preparados, e um aparato material vagamente prescrito. O aparato material incluía instrumentos de música, a presença do nganga e dos seus pacientes, ou clientes, artigos de uso, remédios e, finalmente, um objeto central que era o próprio "nkisi" no sentido restrito de recetáculo da força que dava poder.» «Um "nkisi" foi revelado plo espírito ao "nganga" que primeiro o compôs, que recebeu instruções quanto ao seu uso e que, através da iniciação, pode instruir o seu sucessor. A composição era alcançada acrescentando "remédios" ao receptáculo - uma figura de madeira, um pote de barro, um corno de animal, um saco ou uma combinação de tudo isto. Os remédios consistiam de matérias naturais escolhidas quer porque visualmente representavam os atributos a ser encarnados nesse particular "nkisi"...» Fonte - MacGaffey, 2000: 44.

Bibliografia

  • MacGaffey, Wyatt - "Os Kongo". In Na Presença dos Espiritos: arte africana do Museu Nacional de Etnologia. Nova Iorque: Museum for African Art/ Snoeck-Ducaju Zoon, Gant, 2000, p. 35-59.

Exposições

  • Na Presença dos Espíritos: arte africana do Museu Nacional de Etnologia

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • 27/2/2002 a 23/3/2003
    • Exposição Física
  • <strong>A cultura Kongo (Angola)</strong>

    • Exposição Online

Multimédia

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