Votos do deus Tejo a uma divindade marítima

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 304
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Machado, Cyrillo Volkmar (Pintor / Professor)
  • Datação: 1817
  • Suporte: Tela
  • Dimensões (cm): Alt. 109 x Larg. 202
  • Descrição: A cena representa um tema alegórico/mitológico, enquadrado numa floresta, com vegetação diversa, onde se observam figuras humanas e mitológicas. Ao centro, uma divindade marítima que tem aos pés um animal fantástico, segurando a sua cauda com as mãos; esta encontra-se sobre um plinto decorado com bucrânios, presença ritmada em diversos monumentos da antiguidade clássica. À esquerda, observam-se duas figuras femininas, uma delas sopra a trombeta da Fama e, logo adiante em baixo, a representação em meio corpo da divindade fluvial Tejo (em jeito de prece), acompanhado por um altar sacrificial com incenso a arder; à direita, duas figuras femininas, uma ajoelhada com um prato na mão, e outra de pé, aportando uma cabeça de peixe num prato. A composição é pontuada por vasos de diferentes formatos, que contribuem para o dinamismo visual da cena (Sofia Braga, 2025).
  • Origem/Historial: Pintura em formato de elipse pertencente à coleção de sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda; integra um conjunto total de oito pinturas, duas delas atualmente no Palácio Nacional de Queluz. Esta foi solicitada por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa (1757-1818), 1.º visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe D. João (1767-1826), em 1802. A obra articula-se com a pintura de teto, que representa o ambicionado regresso de D. João VI a Portugal, somente concretizado em 1821. A pintura insere-se nos rituais devocionais a entidades marítimas e mitológicas, visando o tão ambicionado regresso do rei D. João VI a Portugal, tal com Cyrillo salientou: «as deprecações e votos, que fazem as filhas do Tejo às Divindades Marítimas para que sejão propicias, ao desejado regresso de Sua Magestade» (Machado 1823, 315). As duas figuras femininas do lado esquerdo da composição, juntamente com o deus Tejo, localizado em baixo, realizam votos a uma divindade marítima. No lado oposto, observam-se personagens femininas munidas de uma trombeta dupla, associadas ao conceito de Fama. Estas parecem anunciar o regresso triunfal da Família Real a Portugal. Das oito telas só seis se encontram ainda no local original; as outras duas localizam-se no Palácio Nacional de Queluz (PNQ-Inv. 958/1; PNQ-Inv. 958/2): http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=998639&tipo=OBJ e http://raiz.museusemonumentos.pt/DetalhesObra?id=998638&tipo=OBJ As duas sobreportas da coleção de pintura do Palácio Nacional de Queluz ("Súplicas a Anfitrite" e "A Dança das Ninfas") foram retiradas aquando das adaptações do palácio a residência dos reis D. Luís I (1838-1889) e D. Maria Pia (1847-1911), ocultando-se desta forma as duas portas que existiriam na parede poente. De facto, na planta do piso térreo do palácio, da autoria do sub-inspetor António Francisco Rosa, é possível verificar que na parede poente da Sala do Dossel localizavam-se duas portas falsas (Sofia Braga, 2025).
  • Incorporação: Casa ReaL

Bibliografia

  • MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
  • Braga, Sofia. 2023. Cyrillo Volkmar Machado (1748-1823). Um percurso artístico singular. Caleidoscópio.

Exposições

  • D. Luís I, Duque do Porto e Rei de Portugal

    • Palácio Nacional da Ajuda - Museu
    • 1/1/1990 a 31/7/1990
    • Exposição Física
  • Décima Primeira Exposição da Sociedade promotora de Belas Artes

    • Lisboa
    • Exposição Física

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