Ficha de Autor

Machado, Cyrillo Volkmar

  • Actividade: Pintor
  • Data de nascimento/óbito: 09.07.1748 - 12.04.1823
  • Local de nascimento/óbito: Lisboa - Lisboa
  • Biografia: Cyrillo Volkmar Machado foi iniciado artisticamente através de seu tio, João Pedro Volkmar (1712–1782) e do genovês Pellegrino Parodi (1705–1785). Em virtude da ausência de uma academia de desenho do nu em Lisboa, empreendeu às custas da sua família uma viagem cultural por Espanha e Itália (1774-1777), para se dedicar à prática de desenho do modelo nu. Estes contactos permitiram-lhe criar a Academia de Desenho a S. José (Lisboa; 1780–1782), podendo-se considerar Cyrillo o introdutor do academismo em Portugal. Cyrillo destacou-se no panorama artístico lisboeta, tendo trabalhado para a burguesia endinheirada e para os Grandes. No que diz respeito à burguesia endinheirada, pintou no Palácio Barão de Quintela e Conde de Farrobo, cujo proprietário era Joaquim Pedro Quintela (1748-1817), uma pintura de teto baseada em diversos cantos da obra Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões (c. 1524/1525-1580), entre 1786 e 1787. Após este ciclo, executou várias pinturas de teto para José Luís de Vasconcelos e Sousa (1740-1812), no palácio da Bemposta, c.1788/1799 (algumas delas inexistentes). Após estes trabalhos, que lhe granjearam notoriedade, Cyrillo trabalhou ainda para D. João Carlos de Bragança (1719-1806), tendo efetuado a decoração dos tetos e paredes de algumas das salas do Palácio dos Duques de Lafões, em 1791. Antes da sua ida para Mafra, fez várias pinturas para Jacinto Fernandes Bandeira (1745-1806), no Palácio Porto Covo, entre 1793 e 1794. Além da sua profissão de pintor de murais, Cyrillo dedicou-se igualmente a projetos de arquitetura civil, devido aos amplos conhecimentos que possuía desta disciplina, nomeadamente o projeto para o Palácio da Relação e Cadeia de Lisboa (1791; nunca realizado). Em 1796, foi nomeado Pintor da Casa Real. A sua contratação para trabalhar no Palácio de Mafra, inseria-se na política de embelezamento do palácio, determinada pelo Príncipe Regente D. João (1767-1826; futuro D. João VI), que decidiu transformar o palácio numa das suas casas reais. Cyrillo executou uma série de pinturas de teto para as seguintes salas: 1. Oratório sul (1796), 2. Sala dos Camaristas (1797), 3. Oratório norte (1797/1798), 4. Sala das Descobertas (1798), 5. Sala dos Destinos (1799-1800), 6. Sala da Guarda (1801-1802), 7. Sala do Dossel/Audiências (1805-1806). Esta última em parceria com outros artistas. Cyrillo retornou a Lisboa em 1807, devido às invasões francesas. Neste tempo, dedicou-se a projetos de arte efémera e cenografias para os teatros de Lisboa. Em 1814, voltou a trabalhar para a Casa Real Portuguesa, tendo-lhe sido solicitado que realizasse uma série de pinturas de teto para o Palácio da Ajuda, as quais são: 1. Sala das Audiências (1814), 2. Sala do Dossel/Sala das Tapeçarias Espanholas (1814-1815), 3. Sala das Artes/Quarto D. Luís (1815). Deve-se a Cyrillo Volkmar Machado o perpetuar da memória artística portuguesa, devido à sua obra Collecção de Memórias relativas às vidas dos Pintores e Escultores, Architectos e Gravadores Portuguezes, e dos Estrangeiros, que estiverão em Portugal, recolhidas, e ordenadas por Cyrillo Volkmar Machado, Pintor ao Serviço de S. Magestade. O Senhor D. João VI., publicada postumamente em 1823. Esta obra permitiu-lhe conquistar o epíteto de Vasariano português. Autora: Sofia Braga (2025).

Obras do autor