Alegoria à Medicina
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Museu: Palácio Nacional da Ajuda
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Nº de Inventário: 41341
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Pintura
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Autor:
Machado, Cyrillo Volkmar (Pintor / Professor)
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Datação: 1816
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Suporte: Tela
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Dimensões (cm): Alt. 125 x Larg. 152
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Descrição: A pintura representa uma alegoria à Medicina. Em 1.º plano, ao centro, observa-se uma figura feminina sentada, de túnica cor-de-rosa e manto verde, coroada de louros; encontra-se encostada a uns livros, pensativa, com uma pena na mão direita. Por detrás da Medicina, observam-se dois adolescentes que ostentam um livro nas suas mãos e, por cima deles, uma prateleira com frascos, ligados certamente ao conceito de experimentação. Do lado direito da composição, em cima, o busto do deus Apolo porque «este deus é o inventor da Medicina, porque o Sol faz crescer as plantas». A estátua de Apolo de Belvedere é representada com uma serpente enrolada, símbolo da Medicina, e tem uma aljava atrás das costas. No seu pedestal encontra-se inscrito em latim: Inventum Medicina Meum Est, que quer dizer “a medicina é uma invenção minha”. Esta frase foi retirada da obra ovidiana Metamorfoses (520). Em baixo, do lado direito, um génio com uma serpente enroscada numa vara (Sofia Braga, 2025), reportando a Esculápio, deus da Medicina.
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Origem/Historial: Pertence à coleção de pintura sobre tela das sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda, integrando um conjunto total de quatro pinturas. A 2.ª sobreporta foi solicitada por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa, 1.º visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe Regente D. João, em 1802. As pinturas das sobreportas encontram-se em consonância com a pintura de teto, que representa a «Paz conseguida pelo valor heroico (…)» (Machado 1823, 314).
Cyrillo acrescentou alguns elementos importantes, nomeadamente os instrumentos ligados à experiência, ou seja, a importância do conhecimento, fruto da reflexão e do raciocínio humano, que é posteriormente colocado em prática através da experiência científica: ou, de outro modo, a medicina experimental ao serviço da Humanidade.
A alegoria à Medicina foi retirada do seu espaço original, provavelmente em 1862, data que coincide com as obras de remodelação do palácio, determinadas pelo rei D. Luís I (1838-1889). Em Outubro de 1862 a "Casa das Artes" encontrava-se já dividida, como se confirma: «São todas [paredes] cobertas de papeis dourados, riquissimos em qualidade e em gosto (…). El-Rei tem numero igual de aposentos aos que tem a Rainha. Tem tambem quarto de banho, sala do piano, sala de vestir, quarto de cama, sala de guarda roupa e mais o seu gabinete particular com a sua secretaria» (“Interior” 1862).
De acordo com os Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda (Volume 15), esta pintura foi entretanto deslocada para a Galeria de Pintura no Real Paço da Ajuda, talvez em 1865, data que coincide com fundação da pinacoteca.
Ainda de acordo com os Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda (Vol. 15) foi salva do incêndio que destruiu uma parte da Galeria de Pintura em Setembro de 1974, sendo sido posteriormente transferida para o Palácio Nacional de Queluz, à qual se atribuiu o n.º de inventário 41341. Em 1913 a Filosofia retornou ao Palácio Nacional da Ajuda, tendo sido colocada no Corredor das Estufas.
A Medicina foi intervencionada nos anos oitenta do século XX, pois Ayres de Carvalho refere que as pinturas que representam o Comércio e a Medicina sofreram uma intervenção de conservação e restauro no Instituto José de Figueiredo, com vista a «decorarem algumas salas da Ajuda para o congresso da N.A.T.O.» (Carvalho 1982, 46).
(Sofia Braga, 2025)
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Incorporação: Casa ReaL
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Bibliografia
- MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
- Braga, Sofia. 2023. Cyrillo Volkmar Machado (1748-1823). Um percurso artístico singular. Caleidoscópio.
- Almeida, Teodoro de. 1786. Recreação Filosófica, ou Diálogo sobre a Filosofia Natural, para instrucção de pessoas curiosas, que não frequentarão as aulas. Tomo I. Lisboa: Regia Off. Typografica.
- Carvalho, A. Ayres de. 1982. A Galeria de Pintura da Ajuda e as Galerias do seculo XIX. Lisboa: Academia Nacional de Belas-Artes.
- “Interior”. 1862. O Commercio do Porto, 6 de Outubro de 1862.
- Inventário Judicial /Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda, Vol. 15.