Alegoria ao Comércio

  • Museu: Palácio Nacional da Ajuda
  • Nº de Inventário: 41339
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Pintura
  • Autor: Machado, Cyrillo Volkmar (Pintor / Professor)
  • Datação: 1816
  • Suporte: Tela
  • Dimensões (cm): Alt. 125 x Larg. 152
  • Descrição: A pintura representa uma alegoria ao Comércio. Em 1.º plano, o deus protetor do Comércio, Mercúrio, com o caduceu, apontando para uma figura feminina, seminua, a qual ostenta na mão direita uma balança e na esquerda uma cornucópia. Do lado esquerdo da composição, observa-se uma figura infantil, que tem nas mãos uma caixa com joias; do lado direito, encontra-se uma figura infantil alada que carrega na cabeça produtos industriais/comerciais, para dentro de um barco. O deus Mercúrio está sentado sobre uma base de pedra na qual se encontra inscrito um provérbio da antiga Roma: "Industriam Adiuvat Deus", ou seja, “Deus Ajuda Quem Trabalha”. Na parte direita da composição, observa-se várias partes que constituem um barco (o mastro e outros elementos), representando possivelmente a transação de produtos comerciais, sendo tal fomentador do crescimento económico (Sofia Braga, 2025).
  • Origem/Historial: Pertence à coleção de pintura sobre tela das sobreportas do Palácio Nacional da Ajuda, integrando um conjunto total de quatro pinturas. A 4.ª sobreporta foi solicitada por João Diogo de Barros Leitão e Carvalhosa, 1.º visconde de Santarém, nomeado inspetor das obras reais pelo Príncipe Regente D. João (1767-1826), em 1802. As pinturas das sobreportas encontram-se em consonância com a pintura de teto, que representa a «Paz conseguida pelo valor heroico (…)» (Machado 1823, 314). Cyrillo quis demonstrar, tal como Verney tinha já refletido, que o Comércio é a consequência do investimento na Agricultura e nas Artes Mecânicas: «e não falo do agora comercio de uma ou outra riqueza privada, em que a fortuna, mais do que o conhecimento das coisas, costuma dominar, mas sim do comércio de uma nação bem estruturada e persistentemente insiste que esse comércio, de forma nenhuma pode ser útil a toda a nação e a toda a gente, se não partir do conhecimento mais profundo da grande e abundante mercadoria, quer dizer, sem que se conheça profundamente o modo de adquirir a matéria prima de qualquer negocio com utilidade da nação» (Verney, 1746, como citado em Banha, 1965, pp. 309-310). Cyrillo transmitiu, desta forma, que o trabalho contribui tanto para a riqueza individual como a social. O Comércio foi retirado do seu espaço original, provavelmente em 1862, data que coincide com a divisão da "Casa das Artes" (denominação dada por Cyrillo) nos aposentos particulares de D. Luís I (1838-1889). Em Outubro de 1862 a Sala das Artes encontrava-se já dividida, como se confirma: «São todas [paredes] cobertas de papeis dourados, riquissimos em qualidade e em gosto (…). El-Rei tem numero igual de aposentos aos que tem a Rainha. Tem tambem quarto de banho, sala do piano, sala de vestir, quarto de cama, sala de guarda roupa e mais o seu gabinete particular com a sua secretaria» (“Interior” 1862). De acordo com os Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda (Volume 15), esta pintura foi entretanto deslocada para a Galeria de Pintura no Real Paço da Ajuda, talvez em 1865, data que coincide com a fundação da pinacoteca. Ainda de acordo com os Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda, salvou-se do incêndio que destruiu uma parte da Galeria de Pintura em Setembro de 1974, sendo posteriormente transferida para o Palácio Nacional de Queluz, tendo-se atribuído o n.º de Inventário 41339. Em 1913 a Filosofia retornou ao Palácio Nacional da Ajuda, tendo sido colocada no corredor das estufas (Sofia Braga, 2025).
  • Incorporação: Casa ReaL

Bibliografia

  • MACHADO, Cirilo Volkmar - Colecção de Memórias. Lisboa: Imp. de Vitorino Rodrigues da Silva, 1823
  • Braga, Sofia. 2023. Cyrillo Volkmar Machado (1748-1823). Um percurso artístico singular. Caleidoscópio.
  • “Interior”. 1862. O Commercio do Porto, 6 de Outubro de 1862.
  • Inventário Judicial /Arrolamentos do Palácio Nacional da Ajuda, Vol. 15.
  • Andrade, A. A. B. de. 1965. Vernei e a cultura do seu tempo. Universidade de Coimbra.

Multimédia

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