Cabeçada e cisgola de arreio de montada de cavalaria do 4º Marquês de Castelo Melhor

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 1754
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Jesus, Vitalino César de (?) (Ourives)
  • Datação: 1870/1879
  • Técnica: Prata fundida em molde, soldada e passada à fieira.
  • Dimensões (cm): Alt. 74 x Larg. c. 19 x Prof. c. 19
  • Descrição: Atenção: esta peça encontra-se solidária com o freio (A 1109) e com as rédeas (A 1952). Cabeçada de couro forrada a veludo de seda roxo e carmesim, com fivelas, passadeiras e aplicações de prata. Sobre a focinheira, quatro pequenas placas de prata decoradas com aletas e motivos vegetalistas relevados, separadas duas a duas por roseta com três níveis de pétalas sobrepostas. De cada uma das aplicações pende uma roseta semelhante às acima descritas, num total de sete (falta a primeira do lado esquerdo da cabeçada). Ao centro, uma placa maior que repete a decoração curvilínea, da qual fluem quatro correntes que unem a focinheira à testeira. Estas correntes são formadas por dois tipos de peças intercaladas, onde pontua uma esfera maciça. As correntes que se sobrepõem descrevendo triângulos, são interrompidas por uma chapa frontal com decoração fitomórfica simetricamente disposta sobre fundo puncionado. A testeira repete o esquema decorativo descrito, com excepção da placa central, de maiores dimensões. Nas faceiras, duas fivelas e dois pares de três passadeiras (duas rectangulares e uma triangular), igualmente ornamentadas com motivos vegetalistas. Junto ao cocar ou penacho, para além das aplicações paralela que destacam a cisgola, uma coroa de marquês. No ponto de intersecção da testeira com a cisgola, uma flor composta por seis placas recortadas e sobrepostas, formanado doze pétalas ponteagudas. A cisgola, para além das aplicações metálicas, fivelas e passadeiras, é rematada por placa quadrangular, ornamentada com volutas e motivos florais. Segue-se-lhe uma esfera achatada com 50 mm de diâmetro e outra um pouco maior (60 mm), suspensa: ambas apresentam a mesma cercadura floral. O cocar é composto por plumas de diversas cores, unidas por esfera de madeira revestida a veludo carmesim e fio de prata.
  • Origem/Historial: As coroas de marquês que decoram a cabeçada, associadas às iniciais no freio, permitem-nos considerar a hipótese de este arreio ter pertencido à montada do 4º Marquês de Castelo Melhor, D. João de Vasconcelos e Sousa Câmara Caminha Faro e Veiga (1841-1878). Foi Reposteiro-Mor e recusou a mercê de Par do Reino, que recebera por Carta de 6 de Maio de 1874. Estimado por D. Luís I, deixou o seu nome ligado à história da tauromaquia portuguesa, depois de ter toureado pela primeira vez em 1865, na Praça do Campo de Santana. Tomou também parte na tourada realizada a favor das vítimas da guerra de Espanha, em 1874, e foi um dos fundadores do Clube Tauromáquico. Nunca casou, deixando uma filha legitimada por declaração testamentária. Este arreio de torneio foi utilizado no século XIX em touradas de fidalgos.
  • Incorporação: Anastácio Fernandes.
  • Centro de Fabrico: Lisboa

Bibliografia

  • Catálogo da Exposição De Picadeiro a Museu/De Museu a Picadeiro. Lisboa: IPM/MNC, 1995
  • FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
  • Guia do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: IPM/MNC, 2002
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1964,4ª ed.. Lisboa: 1964
  • MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989
  • SANTOS, Armando Vieira - "Algumas Considerações sobre os Coches em Portugal", in Arte Portuguesa, II - As Artes Decorativas. Lisboa: Ed. Excelsior, s.d.

Exposições

  • De Picadeiro a Museu / De Museu a Picadeiro

    • Lisboa, Museu Nacional dos Coches
    • Exposição Física

Multimédia

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