Tabardo do Rei de Armas

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: F 1105
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Traje
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1750/1775
  • Técnica: Prata dourada, levantada, recortada, cinzelada e puncionada.
  • Dimensões (cm): Alt. 128 x Larg. 104
  • Descrição: Túnica em brocado de seda vermelha (moderno) lavrado a ouro, com aplicação de galão de ouro no decote redondo, mangas e frentes. Em forma de túnica ampla, é constituído por duas metades idênticas, abertas lateralmente até às mangas. Na metade anterior da peça, foram aplicados sete castelos heráldicos em prata dourada, o maior sobre o peito e os restantes alinhados verticalmente junto às orlas e entre os galões, formando grupos de três, de tamanhos decrescentes. Os castelos são do tipo "torre", e dividem-se em três registos distintos: no primeiro, aparelhado, rasga-se uma porta aberta, com arco de volta perfeita e aduelas bem demarcadas. O segundo, de fundo liso, apresenta duas seteiras - frestas iluminadas - e o terceiro é coroado por três merlões.
  • Origem/Historial: O tabardo era, uma das insígnias inerentes ao cargo de rei de armas, sobre o qual usavam ainda um colar de prata dourada, do qual pendiam as armas reais. No cerimonial das saídas régias, os reis de armas procediam todos os restantes, ostentavam o colar e cota com sete castelos. A cor vermelha tradicional na primeira e segunda dinastia entre as vestes do pessoal da Casa Real, voltou a seu usada a partir de D. João V, que alterou a antiga libré da Casa de Bragança (verde com galões de prata). De acordo com antiga bibliografia, este tabardo e os seus congéneres terão sido utilizados pelos três "Reis de Armas" no ano de 1775, aquando das cerimónias de inauguração da estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço (Lisboa). Os "Reis de Armas" tinham por especial missão vigiar a autenticidade dos títulos e honras da nobreza. A partir da reforma manuelina, estes passaram a ser em número de três e receberam o nome de Portugal, Índia e Algarve, sendo que o primeiro era também designado por Principal e ocupava o topo da pirâmide hierárquica, onde a ascensão só se dava por vacatura. Abaixo dos "Reis de Armas" estavam os arautos, apelidados Lisboa, Silves e Goa e, por último, os mensageiros reais: Santarém, Tavira e Cochim. Em Portugal, o ofício da nobreza das armas nunca foi exercido por representantes da nobreza ou de elevada categoria social. Efectivamente, ao longo de Setecentos a no início do século XIX, este cargo foi frequentes vezes desempenhado por ourives, cuja eleição se atribui ao facto de saberem desenhar. A investidura neste cargo revestia-se de grande pompa. Antes de ser baptizado pelo monarca, o novo titular tinha de prestar juramento aos Santos Evangelhos que lhe eram apresentados por outro "Rei de Armas", anteriormente nomeado. Ajoelhado aos pés do monarca e rodeado pelos seus pares, prestava juramento público. Seguidamente, eram-lhe entregues as respectivas insígnias constantes de uma cota ou tabardo de seda vermelha com guarnições de ouro e um escudo com as armas reais portuguesas. Juramento dos Reis de armas " Juro a estes Santos Evangelhos nas mãos de ..., rei de armas, que bem e verdadeiramente darei do livro do meu registo das armas aos nobres as armas que direitamente lhe pertencerem segundo a ordem e regimento que para ele me é dado por El-Rei, nosso senhor, que em tudo guardarei e cumprirei, e que por temor nem amor nem dádiva nem prometimento nem outro nenhum respeito não farei niso cousa que não deva, e fielmente guardarei nisso a justiça e direito da parte a que tocar. Juro asim mesmo que quando for enviado com algum embaixador que el-rei nosso Senhor enviar, serei com todo a ciudado deligente a seu serviço e fielmente farei, e cumprirei tudo o que me for mandado, e com minha cota d'armas vestida, entrarei aondequer que me for mandado por El-Rei, noso senhor, ou por seus embaixadores. Juro de em tudo guardar e cumprir o juramento que tenho feito, quando fui baptisado e feito arauto e todas as cousas obrigações do dito juramento, e cada uma delas cumprirei , e farei fiel e verdadeiramente como no dito juramento é conteúdo. E se o rei d'armas fosse logo feito rei d'armas e não precedesse ser primeiro arauto, fará especificamente o juramento de arauto, cada cousa por si inteiramente com juramento de rei d'armas que ha de fazer como no capítulo dos juramento dos reis d'armas é conteúdo.
  • Incorporação: Palácio das Necessidades.

Bibliografia

  • BESSONE, Silvana - Museu Nacional dos Coches, Lisboa. Lisboa: IPM/Paribas, 1993
  • FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
  • MACEDO, Silvana Costa - Museu Nacional dos Coches - Roteiro, 2ª ed.. Lisboa: IPPC, 1989

Exposições

  • Heráldica (A) nas Artes Decorativas

    • Estoril, Junta de Turismo
    • Exposição Física

Obras relacionadas

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