Descrição: Zarabatana constituída por um tubo em madeira, envolvido por tiras vegetais revestidas por uma camada de verniz de cor preta brilhante.
O bocal, localizado na extremidade de maior diâmetro, consiste num osso cilindriforme fixado por cera.
Bocal comprimento (cm): 3,5
Bocal diâmetro (cm): 1,5
Origem/Historial: "(...) A sarabatana exige bastante força para atirar. A posição ideal é em sentido vertical, um pouco inclinada, com a mira para cima. O índio segura a sarabatana com ambas as mãos na altura do bocal; desce a arma de sua posição vertical até que o alvo apareça na mira. Dá um sopro forte e seco. Segura o carcás entre as coxas para remuniciar a arma. (...) O alcance da sarabatana está na razão direta do seu comprimento, quanto mais longa mais certeiro o tiro e maior o alcance (...)." (Dicionário do Artesanato Indígena, 1988: 236, 237)
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
Bibliografia
Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988