Bastão de curandeiro

  • Museu: Museu Nacional de Etnologia
  • Nº de Inventário: AN.719
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ritual
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: Século 20
  • Dimensões (cm): Comp. 98,5
  • Descrição: Bastão de curandeiro constituído por um cabo cilindriforme em junco, com a extremidade inferior coberta com cera e envolvida com fita adesiva transparente. Na extremidade superior, que se encontra perfurada, são colocadas duas longas penas de arara de cor vermelha. O cabo é envolvido, em um terço do seu comprimento junto ao topo, com penugem branca fixada com cera preta e penas de pequenas dimensões de tons vermelho e amarelo fixadas com fios de algodão branco. São visíveis duas penas suspensas por um fio de algodão. O cabo exibe vestígios de cera.
  • Origem/Historial: A maraca, o bastão e a coroa constituem um "conjunto cerimonial usado pelo pajé, no acto de tratamento de um doente ou por ocasião de danças cerimoniais como as do Aruanã. No primeiro caso, o procedimento terapêutico desenvolvido pelo pajé implica, segundo Victor Bandeira, a utilização da coroa sobre a cabeça e a maraca numa das mãos, enquanto agita o bastão com a outra. Pelo orifício posterior da maraca, o pajé insufla com a boca o fumo de um charuto feito de uma espécie vegetal, que sai pela "boca" da maraca, aplicada sobre a parte do corpo do doente a tratar. De seguida, por aquele orifício, o pajé aspira o fumo e, com ele, a doença - os Tapirapé dizem que a "boca" da maraca chupa a doença - sobrando-a depois para longe." (Os Índios, Nós, 2000: 134) Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira: Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região. Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios. Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil. Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil. Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia. A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
  • Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido

Bibliografia

  • BANDEIRA, Françoise, "Les Indiens Karajá de L'Araguaia" in Geographica N.º 15, 1966
  • BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
  • OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
  • RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
  • RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986

Exposições

  • Índios da Amazónia

    • Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
    • Exposição Física

Obras relacionadas

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