Maraca
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Museu: Museu Nacional de Etnologia
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Nº de Inventário: AN.599
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Super Categoria:
Etnologia
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Categoria: Ritual
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: Século 20
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Dimensões (cm): Alt. 72 x Diâm. 14
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Descrição: Maraca de tipo globular, constituída por uma cabaça esférica atravessada longitudinalmente por um cabo cilindriforme em junco.
A cabaça é segura ao cabo por cera preta.
Na extremidade superior da peça é visível um segmento cilíndrico em junco unido ao cabo com um cordão de fibras vegetais e fios de algodão, onde são fixadas várias penas de tons vermelho, azul, castanho-escuro e claro de diferentes dimensões.
A cabaça apresenta um ornamento que a divide em duas partes. Numa das metades exibe várias linhas rectas, curvas, angulares e oblíquas incisas e cinco orifícios, três de forma ovóide que representam os olhos e a boca e dois de contorno circular que figuram as orelhas. Na outra metade exibe várias linhas rectas dispostas em cruz e um orifício de contorno circular.
O interior da cabaça contém sementes, que constituem os elementos sonoros, na medida em que ao entrechocarem e ao baterem nas paredes internas do seu invólucro, produzem um som.
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Origem/Historial: A maraca, o bastão e a coroa constituem um "conjunto cerimonial usado pelo pajé, no acto de tratamento de um doente ou por ocasião de danças cerimoniais como as do Aruanã. No primeiro caso, o procedimento terapêutico desenvolvido pelo pajé implica, segundo Victor Bandeira, a utilização da coroa sobre a cabeça e a maraca numa das mãos, enquanto agita o bastão com a outra. Pelo orifício posterior da maraca, o pajé insufla com a boca o fumo de um charuto feito de uma espécie vegetal, que sai pela "boca" da maraca, aplicada sobre a parte do corpo do doente a tratar. De seguida, por aquele orifício, o pajé aspira o fumo e, com ele, a doença - os Tapirapé dizem que a "boca" da maraca chupa a doença - sobrando-a depois para longe." (Os Índios, Nós, 2000: 134)
A classificação do instrumento, em relação ao tipo, referida na descrição da peça foi retirada do Dicionário do Artesanato Indígena de Berta Ribeiro (pp. 198/199).
Nota informativa sobre a constituição da Colecção Victor Bandeira:
Em 1964/65 Victor Bandeira e Françoise Carel Bandeira, incentivados por Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira, e com o apoio do Centro de Estudos de Antropologia Cultural de Junta de Investigações do Ultramar e das autoridades brasileiras, empreenderam uma expedição à selva amazónica, com o objectivo de conhecer, por experiência e participação efectiva, as formas de comportamento, a cultura material e imaterial, os rituais, os ritos e as artes, dos grupos indígenas que habitavam nessa região.
Durante a sua estada no terreno, o casal Bandeira, percorreu várias regiões do Brasil, Equador, Peru e Colômbia, e contactou com diferentes grupos de índios.
Dessa investigação resultou uma extensa colecção de artefactos que documenta e exprime de um modo perfeito e completo todos os aspectos da vida e das concepções, dos ritos e da criação plástica dos vários grupos com quem estabeleceram relações, inúmeros registo visuais e sonoros, e um vasto conhecimento teórico sobre a vida, a cultura e arte dos ameríndios do Brasil.
Esta colecção foi apresentada ao público em Outubro de 1966 nos Salões da Sociedade de Belas Artes de Lisboa, sob o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Embaixada do Brasil.
Em 1969 a colecção é adquirida pelo então Ministério do Ultramar, com a participação financeira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação da Casa de Bragança e de alguns particulares devotados, a fim de ser entregue e incorporada no património do Museu Nacional de Etnologia.
A colecção, constituída por cerca de 745 peças, abrange todas as classes de artefactos.
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Incorporação: Anterior proprietário: Desconhecido
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Bibliografia
- Arte do índio brasileiro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1966
- BANDEIRA, Françoise, "Les Indiens Karajá de L'Araguaia" in Geographica N.º 15, 1966
- BRITO, Joaquim Pais de, et al (coords), Os Índios, Nós. Lisboa: CNCDP/IPM/MNE, 2000
- OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, et al, Índios da Amazónia. Lisboa: Museu de Etnologia/ Instituto de Investigação Cientifica e Tropical, 1986
- Museu de Etnologia do Ultramar - Povos e Culturas. Lisboa: JIU/MEU, 1972
- RIBEIRO, Berta G., Dicionário do Artesanato Indígena. São Paulo: Itatiaia Limitada, USP, 1988
- RIBEIRO, Darcy, "Arte índia" in Suma Etnológica Brasileira - Tecnologia Indígena, vol. 3. Petrópolis: FINEP/Vozes, 1986
Exposições
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Índios da Amazónia
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- Exposição Física
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Arte do Índio Brasileiro
- Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa
- Exposição Física
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Os Índios, Nós
- Museu Nacional de Etnologia, Lisboa
- 30/11/2000 a 3/6/2001
- Exposição Física
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Povos e Culturas
- Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa
- Exposição Física