Cadeira/conjunto
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Museu: Museu de Lamego
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Nº de Inventário: 399
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Super Categoria:
Arte
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Categoria: Mobiliário
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Autor:
Autor desconhecido (-)
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Datação: 1775/1800
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Dimensões (cm): Alt. 103 x Larg. 58 x Prof. 48
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Descrição: Espaldar formado por duas peças de seção retangular, que estreitam e se afastam ligeiramente no sentido da altura e cachaço com rercorte ondulado tendo ao centro um motivo concheado; as suas extremidades salientes e enroladas, sugerem pequenas orelhas. Tabela central lisa, recortada e vazada com uma série de vazamentos em forma de volutas entrelaçadas na metade superior, e, na metade inferior, um típico feixe de vazamentos abertos ao alto ("molho de trigo"). Cintura de linhas retas, desprovida de decoração. Pernas dianteiras apresentando joelho largo, de saída brusca, ornado de folhagem de acanto. Pés de garra e bola. Travejamento torneado em forma de H descentrado. Pernas traseiras de seção quadrangular e pés de forma alargada que sugere uma sapata. (Bastos e Proença, 1999)
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Origem/Historial: Segundo Maria Helena Mendes Pinto este modelo de clara filiação inglesa fabricado no terceiro quartel do século XVIII, reflecte uma permanência de formas anteriores, nomeadamente ao nível das pernas e dos pés. As cadeiras propostas no "Director" de Thomas Chippendale, nas quais estes modelos portugueses claramente se inspiram, apresentavam já delicadas pernas galbadas ao gosto francês. A utilização de volumosas pernas galbadas e do pé em garra e bola, deverá ser entendida como um apego a modelos anteriores, ditado quer pela tradição, demasiado enraizada entre os marceneiros, quer pelo conservadorismo da clientela. O uso destas pernas e de uma trempe, poderá ser ainda entendido como uma maneira de conferir maior solidez a estes modelos. aliás, as cadeiras inglesas exportadas para a Península na primeira metade do século XVIII possuíam esse travejamento de reforço, apesar dos modelos destinados ao mercado interno serem já desprovidos desses elementos. Em Portugal, tal como em Inglaterra, os braços destas cadeiras denotavam um certo arcaísmo que se ficou a dever ao facto de Chippendale nunca ter desenhado braços para estes protótipos, obrigando os marceneiros que os copiavam a recorrer às suas próprias formas.
Este conjunto do Museu, formado por seis cadeiras (Inv. 399-404) e um canapé (Inv.398), corresponde ao que em 1821 mobilava um dos quartos da frente do Paço, tendo sido descrito como "Sette Cadeiras, e hum Canapé pau de nogueira, pez de garra, alguma entalha Asentos de Almofadas vermelhas, avaliado em dez mil reis".
Alfredo Guimarães e Albano Sardoeira constataram a existência de inúmeros exemplares com idêntica estrutura no concelho de Lamego, o qual indica tratar-se de um modelo muito vulgarizado na região. Apesar da tabela que os orna corresponder a uma das formas mais divulgadas, outras tabelas com um desenho bastante próximo, foram igualmente utilizadas.
Dentro desta tipologia cabe ainda um outro conjunto composto por sete cadeiras idênticas, cujas tabelas repetem a anterior forma (Inv. 476-482). Trata-se contudo de exemplares mais modestos desprovidos de decoração entalhada. No Museu de Grão Vasco guarda-se um canapé de três lugares executado em nogueira, cuja estrutura repete nas suas linhas gerais, a do exemplar do Museu. Aí se conservam igualmente algumas variantes deste tipo de cadeiras, com pernas ao gosto francês aconselhado por Chippendale no "Director". No Palácio do Correio-Mor (Loures) guarda-se um conjunto de cadeiras idênticas às do Museu. (Bastos e Proença, 1999)
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Incorporação: Transferência: Mitra da Sé de Lamego
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Bibliografia
- BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
- GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
- IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821