Descrição: Camisa em tecido de linho de cor branca, com fralda em tecido de estopa da mesma cor, a qual constitui cerca de metade da sua altura.
Apresenta um corte para o pescoço de formato redondo, justo. A sua orla é debruada por uma fita em tecido de algodão (?) de cor branca, bordada, à frente, a ponto de cruz, formando "X" espaçados entre si, ora de cor rosa, ora de cor azul. A ela está cosida uma pequena gola constituída por duas fitas de cor branca: a de baixo forma um "zigue-zague"; a de cima, apresenta motivos fitomórficos e orla ondulada.
À frente, a camisa é aberta ao centro, desde a gola até cerca de 2/3 da altura. Fecha por meio de três botões redondos, em plástico de cor branca, colocados: dois na gola, e outro, no mesmo alinhamento, um pouco abaixo. A aba à esquerda apresenta uma fina faixa de bordado em "zigue-zague", executado a fio de cor branca.
A zona dos ombros apresenta um bordado a fio de cor branca, transversalmente simétrico, de motivos fitomórficos.
As mangas são folgadas. Não apresentam cava recortada, somente uma abertura preenchida por um losango do mesmo tecido da camisa, em que dois dos seus vértices opostos correspondem às costuras laterais da camisa e da manga.
A zona da manga, junto às ombreiras, apresenta um franzido intenso, sobre o qual estão bordados, em finas faixas longitudinais, motivos geométricos e fitomórficos. As arestas transversais desse franzido são guarnecidas com uma fina lista de motivos florais, bordados de forma semelhante.
No extremo da manga, o tecido é ajustado ao tamanho do punho por meio de pequenas pregas.
Os punhos são em tecido de algodão (?) de cor branca. Apresentam uma abertura longitudinal, que se prolonga um pouco pelo corpo da manga. Fecham por meio de dois botões redondos, em plástico de cor branca. Ambos apresentam inscrições: no punho à esquerda surge, bordado em ponto de cruz, a fio de cor rosa: "AMOR FIRME"; no punho à direita, surge, bordado no mesmo estilo e cor: "PARA SEMPRE". Estas inscrições são contornadas por uma espécie de rectângulo ponteado a linha de cor castanha.
Origem/Historial: Em 1947 Jorge Dias é convidado para coordenar o sector de Etnografia do Centro de Estudos de Etnologia Peninsular (CEEP), chamando de imediato um conjunto de investigadores da sua confiança para com ele trabalhar nesse Centro - Margot Dias, Fernando Galhano, Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira. Estes investigadores estariam também na origem e desenvolvimento, alguns anos mais tarde, do projecto do Museu de Etnologia.
Ernesto Veiga de Oliveira (1910-1990) foi integrado formalmente em 1953 nos quadros do CEEP. Em 1965, Ernesto Veiga de Oliveira é nomeado subdirector do Museu de Etnologia do Ultramar, assim como do Centro de Estudos de Antropologia Cultural. Com a morte de Jorge Dias (1973), assume a direcção desses dois organismos até à sua aposentação em 1980.
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A esta data (Dezembro de 2009), o Museu Nacional de Etnologia possui no seu acervo 599 objectos da categoria "Vestuário e Adereços" da província do Minho, sendo que três deles se encontram ainda por localizar.
Se, dentro da província do Minho, dividirmos o conjunto por distritos, encontramos uma grande incidência de recolha no distrito de Viana do Castelo em detrimento do de Braga. Assim, temos para Viana do Castelo 463 objectos recolhidos, e para Braga 125.
O concelho mais representado destes dois distritos é o de Viana do Castelo, com 393 objectos. Neste, as freguesias mais representativas de recolha são: Outeiro, com 149 objectos, Perre, com 90 objectos e Meadela, com 80 objectos.
A razão desta preferência assenta nas aquisições efectuadas aos dois principais intermediários da região: José de Passos Cavalheiro, de Meadela, e Rosa Rocha, de Perre.
No distrito de Braga, a ênfase das recolhas foi dada às aldeias serranas. O concelho mais representativo é o de Caminha, com 23 objectos.
Em termos temporais, o maior foco de recolha coincide com o subsídio atribuído à equipa do museu pela Fundação Calouste Gulbenkian, em meados dos anos 1960. Nesse mesmo período são também extremamente relevantes as recolhas feitas em nome individual por Ernesto Veiga de Oliveira. Nos finais dos anos 1970 são de mencionar as recolhas efectuadas com base no subsídio atribuído pela UNESCO.
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Rosa Rocha residia (?) em Perre. Os objectos a ela adquiridos eram provenientes dessa mesma freguesia e do Outeiro.
Não há qualquer outra informação relativa a esta senhora, excepto uma pequena pista de Benjamim Pereira, que referiu lembrar-se de uma padeira de Perre, da qual não se lembrava do nome, a quem tinham adquirido muitos objectos.
Bibliografia
ATHAÍDE, Alfredo de - Trajo in A Arte Popular em Portugal, Vol.III. Lisboa: Ed. Verbo, [s.d]
BASTO, Cláudio - Traje à Vianesa. Gaia: Apolino, 1930
LAMAS, Maria - As mulheres do meu país. Lisboa: Actuális, 1948
MAGALHÃES, Manuel Maria Calvet de - Bordados e rendas de Portugal. Lisboa: Campanha Nacional de Educação de Adultos, 1956
PEREIRA, Benjamin Enes - Traje popular. Lisboa: Museu Nacional de Etnologia, 1977
PEREIRA, Benjamin Enes; Medeiros, António, Botelho, João Alpuim - Uma Imagem da Nação. O Traje à Vianesa. Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2008
TEIXEIRA, Madalena Braz (*) - Trajes Míticos da Cultura Regional Portuguesa, Mythical Costumes of Portuguese Regional Culture. Lisboa: Electa, 1994