Cadeira de braços/conjunto

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 379
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1750/1800
  • Dimensões (cm): Alt. 135 x Larg. 77 x Prof. 77
  • Descrição: Espaldar, assento e braços (apoio dos cotovelos - manchetos) estofados e revestidos de damasco, fixado por pregaria fina de latão. Espaldar elevado do tipo "violonné" moldurado, com cachaço recortado, vazado e entalhado tendo ao centro, um pequeno vazamento rodeado de concheados e pequenas intromissões de folhagem estilizada que se repete nas molduras em voluta do recorte; apoios do espaldar curvos e moldurados. Braços moldurados, abrindo ligeiramente para o exterior, de modo a acompanhar a forma trapezoidal do assento. Apoios recuados, encurvados e moldurados, os quais embebem no aro do assento, prolongando-se lateralmente em voluta. São decorados por folhagem de acanto entalhada. Assento trapezoidal com cintura moldurada e recortada na frente. Ilhargas com motivo floral entalhado ao centro. Os cantos da cintura sobem em bico para proteção do assento. Pernas galbadas e molduradas, ornando-se de folhagem de acanto nos joelhos. Pés enrolados, assentes sobre socos. (Bastos, 1999)
  • Origem/Historial: Tipologicamente, estes exemplares filiam-se nos modelos franceses ditos " à la Reine", os quais se caracterizavam pelos espaldares construídos num plano direito. O "fauteil à la Reine" integrava uma categoria mais vasta, a das "sièges meublants", destinadas a ocupar uma posição rígida ao longo das paredes como, aliás, os exemplares do Museu. Estes modelos apresentavam coxins (dos assentos e dos espaldares) revestidos de tapeçaria, que, nas cadeiras do Museu, foi substituída pelo damasco vermelho (a cor mais usada nos interiores portugueses do século XVIII), bastante mais adequada à solenidade do aposento a que se destinavam. Em Portugal, o uso de tapeçarias no móvel de assento foi bastante restrito, pois estavam, pelo seu elevado custo, fora do alcance da maioria das bolsas. Encontramo-los nalguns interiores nobres, como no antigo Paço Episcopal de Leiria, onde se encontrava um conjunto igualmente executado em nogueira, com tapeçaria no assento e no espaldar (formado por treze cadeiras e um canapé que integram actualmente o acervo do Museu Nacional de Machado de Castro). As dezoito cadeiras destinadas aos cónegos (Inv. 380 a 397) e o cadeirão do bispo mobilavam a sala do Cabido em 1821, para a qual estes móveis terão sido certamente encomendados. No inventário desse ano figuram "na salla do Cabbido ou Do cello [ ... ] Huã Cadeira de braços goarnecida de damasco vermelho, e he de Respaldo, avaliada em quatro mil e Oitocentos reis. Dezoito cadeiras goarnecidas de damasco vermelho em muito bom uzo, avaliadas todas em cento quinze mil e duzentos reis" . Já em 1826, permanecem na mesma dependência, sendo descritas desse ano como "Huã cadeira grande de Damasco vermelho, uzada. Dezoito cadeiras de Damasco vermelho, riscas" . Em 1860, voltamos a encontrar o conjunto, sendo então mencionado como "Dezoito cadeiras de pau de cerdeira com braços e encostos e assentos de damasco vermelho em bom uso = Huma dita grande com docel e espaldar de damasco vermelho com franja de retros amarello em bom uzo". D. Joaquim de Azevedo, ao referir os interiores do Palácio, recentemente reformado, refere-se-lhes dizendo: [no Paço] "Ha duas salas forradas com antigos panos de arras, uma das quaes é a do docel, com bom tapete e mobilia estofada de damasco carmezim". Quando no início deste século, José Júlio Rodrigues retrata a residência do bispo D. Francisco José de Vieira e Brito, permaneciam as dezoito cadeiras, a cadeira do bispo e o dossel mantendo-se as preciosas tapeçarias nas paredes. (Bastos, 1999)
  • Incorporação: Antigo Paço Episcopal de Lamego

Bibliografia

  • AZEVEDO, D. Joaquim - Historia Eclesiastica da Cidade e Bispado de Lamego. Porto: 1877
  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • GUIMARÃES, Alfredo; SARDOEIRA, Albano - Mobiliário Artístico Português (Elementos para a sua História) - I- Lamego. Porto: Marques de Abreu, 1924
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º 50, Inventário do Espolio do Ex.mo e Rev.mo Bispo D. Joze de Jezus Maria Pinto. Lamego: 1826
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º50, Inventário de todos os moveis da Mitra de Lamego feito por ordem do Governo de Sua Majestade. Lamego: 1860
  • LARANJO, F. J. Cordeiro - Museu de Lamego. Lamego: C.M.Lamego, 1991
  • QUILHÓ, Irene - "Mobiliário", in Oito Séculos de Arte Portuguesa. História e Espírito, vol. III, Dir. Reynaldo dos Santos: Ed. Notícias, 1970
  • RODRIGUES, José Júlio - O Paço Episcopal de Lamego. Porto: 1908

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