Mesa de jogo (par)

  • Museu: Museu de Lamego
  • Nº de Inventário: 351b
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Mobiliário
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1775/1800
  • Dimensões (cm): Alt. 72,5 x Larg. 81,5 x Prof. 73,4
  • Descrição: Tampo rectangular, duplo e articulado que se tranforma numa superfície de forma quadrangular com cantos ressaltados, observando-se na superfície de jogo quatro concavidades ovais escavadas em concha. Aro liso, formado por frente e traseiras retas, ângulos igualmente ressaltados e ilhargas articuladas. Abrindo e fechando em X- em concertina-, estas suportam o tampo aberto, pois as peças que as formam são articuladas entre si e na ligação aos cantos do aro, possuíndo um dispositivo interno de travamento. Na frente do aro, apresenta uma pequena gaveta central com frente lisa e com uma entrada de fechadura embutida em madeira mais clara, em forma de losango, que conserva a fechadura e vestígios de ferragens. Quatro pernas galbadas, com joelhos recortados de saída brusca, decorados por cartela "rocaille" simétrica e perfil moldurado. Pés de cachimbo. (Bastos, 1999)
  • Origem/Historial: Na obra de Ince & Mayhew (inicialmente publicada em fascúculos, tendo recebido a sua forma definitiva em 1762), figuram várias mesas de jogo, nas quais se propõem aros direitos ou aros em serpentina (os mais vulgares em Inglaterra e colónias), pernas galbadas ou pernas direitas e pés em voluta. Na estampa LII, a par dos desenhos para duas mesas de jogo, apresenta-se o esquema de uma gaveta no aro que se destinava a guardar as cartas e do mecanismo de articulação do aro: em concertina, como neste exemplar. Desenhadas especialmente para o jogo, estas mesas podiam ser facilmente arrumadas, perfilando-se ao longo das paredes como vulgares mesas de encostar. Essa característica era-lhes conferida pelo tampo, duplo e articulável, e pelo mecanismo em concertina do aro o qual, arrastando consigo as pernas traseiras, permitia suportar o tampo aberto, agora ampliado para o dobro da superfície. As quatro concavidades ovais na superfície de jogo, destinavam-se à colocaçaõ de fichas de jogo, os cantos ressaltados dos tampos, serviam, por seu turno, para a colocação de castiçais ou outras formas de iluminação. No século XIX, e possivelmente na centúria anterior, estes exemplares decoravam a sala de visitas do antigo Paço Episcopal. No inventário de 1821 são referidas como "Quatro Mezas de pau preto com panos verdes, em meio uzo, avaliadas todas em dezanove mil e duzentos reis". Nelas se guardava, segundo esse documento, um valioso conjunto de dados, descrito como: "Hum Jogo de dados=completo avaliadoem seis mil e quatro centos reis", possivelmente um jogo de gamão, a julgar pelo elevado valor que lhe foi atribuído. Embora descritas como mesas de chá no inventário de 1826 - "Quatro Mezas de pau preto, quadradas de chá"-, a sua função é correctamente identificada em 1860, sendo então descritas como "Quatro mezas de jogo de pau preto com pano verde e gavetas em bom uzo" (Bastos, 1999)
  • Incorporação: antigo Paço Episcopal de Lamego

Bibliografia

  • BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º 50, Inventário do Espolio do Ex.mo e Rev.mo Bispo D. Joze de Jezus Maria Pinto. Lamego: 1826
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º49, Inventário das Alfaias, movens, e bens de Raiz, pertencentes ao Paço Episcopal. Lamego: 1821
  • IAN/TT, Mitra de Lamego, Lv.º50, Inventário de todos os moveis da Mitra de Lamego feito por ordem do Governo de Sua Majestade. Lamego: 1860

Obras relacionadas

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