Descrição: Retábulo in situm, de marcenaria lavrada e dourada, apresenta estrutura caracterizadamente maneirista.
Tem planta de perfil recto c/ modelação tripartida e um corpo; os três tramos são separados por colunas (num total de quatro colunas) assentes sobre predela. A predela está compartimentada em quatro partes rectangulares preeenchidas c/ pinturas sobre madeira de António André (1612/1654); as duas pinturas do centro da predela avançam sobre o plano retabular suportando o nicho central e as duas colunas intermédias; estes elementos definem o tramo central.
Nos tramos laterais, situados em plano recuado relactivamente ao tramo do centro, correm fiadas verticais de pinturas do autor referido; rematam os extremos com um par de colunas estriadas apoiadas sobre plintos paralelepipédicos; estes pedestais são entalhados nas três faces, avançam em relação às pinturas e estão apoiados sobre mísulas de pedra esculpida.
Nso extremos do retábulo e na lateral da mesa de altar estão suspensas duas mísulas em pedra, esculpidas, desenhando uma folha de acanto com toro superior na face dianteira e ramo de tulipa nas faces exteriores. Estes elementos definem os tramos laterais.
Fecha o retábulo um entablamento perspectivado nos extremos e subdividido por quatro modilhões de secção quadrangular intercalados por três frisos longitudinais relevados: o friso central tem ao centro um coração trespassado sobre duas aves; a ladear um par de cabeças de anjo aladas. Segue cimalha com denticulado inferior e moldura avançada sobre o plano retabular com ornatos entalhados na face interior.
Este retábulo in situ encontra-se bastante alterado na sua estrutura de talha, com acrescentos da 1ª metade do século XVIII, estando adossado à base um frontal desajustado no tempo, na gramática decorativa e na tipologia; o frontal de altar tem os campos entalhados com desenos coevos da talha do coro-baixo e está subdivido por pilastras estriadas e recamo de ramagens intercruzadas. Não lhe pertence na origem.
Origem/Historial: Acerca desta capela de S.João Evangelista refere Rangel de Quadros : "não é muito grande e tem pouca luz... o retábulo é bastante digno da nota e de um gosto pouco vulgar. Entre quatro colunas caneladas e de estilo dórico, está a imagem de Evangelista. Entre ela e sob a imagem, existem seis quadros, proporcional e simetricamente colocados, em que figuram algumas passagens da vida de Cristo; são emoldurados com a propria talha."
Ainda sobre esta Capela, a primeira da ala norte, refere Domingos Maurício: "o culto era consubstanciado pelo grupo das Evangelistas que desenvolviam à volta da Capela do Discípulo Amado, ..." (pag.28). O retábulo foi encomendado por Soror Isabel Padilha, cerca de 1620 (ver Domingos Maurício);
Incorporação: Transferência/Disposição Legal (Dec. de 1834) do Convento de Jesus de Aveiro(1874)
Bibliografia
SANTOS, Domingos Maurício Gomes dos - Mosteiro de Jesus de Aveiro. Lisboa: Companhia de diamantes de Ang., 1967
SERRÃO, Vitor - A Pintura Proto-Barroca em Portugal, 1612-1657: 1992