Técnica: Talha e ensamblagem de elementos; tem aplicação de temperas sobre a folha de ouro com sobreposição de camada de verniz; tem trabalho de puncionado e esgrafitado para obetr um desenho a imitar o textil.
Dimensões (cm): Alt. 175 x Larg. 154 x Prof. 35
Descrição: Estrutura retabular com sacrário na predela e subdividido em cinco nichos: um central e maior e dois nichos menores em cada tramo; estrutura de embutir na parede tipo armário de marcenaria entalhada, dourada e policromada. Remata nos extremos superiores com um par de aves "Fenix", esculpidas e de vulto pleno, douradas e policromadas.
Analise formal:
Caixa paralelepipédica de secção rectangular e corpo único organizado segundo cinco nichos: um medial e quatro laterais envidraçados e dispostos em duas filas; nicho central com interior dourado, policromado e puncionado imitando um tecido de ramagens e flores; tem remate superior em arco abatido ao qual sobrepõe um arco tricêntrico de fuste espiralado; nichos laterias dispostos nos extremos, em par e sobrepostos com interior pintado a imitar um tecido de flores douradas sobre fundo vermelho; a circundar uma moldura rendilhada com folhas miudas, recortadas e vasadas; sobrepõem os nichos superiores arcos de volta inteira com fuste espiralado; friso com perlados e moldura em cordão a intercalar os nichos.
Basamento em forma de faixa horizontal perspectivada nos extremos, decorada com motivos vegetalistas com um sacrário circular a eixo; sacrário com porta de secção circular, inscrição relevada de "IHS" em reserva aplicada sobre fundo vermelho; apresenta moldura em cordão, fechadura e dobradiça.
Rematam os extremos do corpo um par de pilastras relevadas com motivos vegetalistas intercalados por aves e encimadas por modilhões quadrangulares; cimalha em forma de faixa horizontal, decorada com motivos vegetalistas, elemento medial em forma de rosácea e extremos prespectivados sobre os quais assenta um par de aves "fénix", esculpidas em vulto pleno.
Origem/Historial: Esta peça funciona como suporte a imagens devocionais e servia ao culto integrando um sacrário de pequena escala na zona inferior do oratório; a sua proveniência, tida como do Convento de Jesus de Dominicanas de Aveiro, foi questionada face os inventários de 1906 de 20 de janeiro quando cruzada a informação com a elaborada lista de bens arrolados ao extinto Convento das Carmelitas Descalças de Aveiro. O então Convento de São João Evangelista foi então alvo de vários atos legais que o desproveram de grande parte dos bens após a extinção das Ordens religiosas (1834) e após os sucessivos governos liberais, assim como no período da 1901 a 1905 sob o consulado de Gustavo Pinto Bastos à frente da Câmra Municipal de Aveiro até à Republica em 1910, dando resultado a documentação tratada e publicada na obra do padre Belinquete, "As Carmelitas em Aveiro", 1996, como:
Objectos decorativos em talha e escultura, pp. 686 - 690 e p.723:
N.7/158 – Um grande oratório, onde estivera o Sr.ª Ecce Homo, em talha dourada, porta de vidros de que fazem parte uma sanefa grande em talha dourada, e outra mais pequena, com o Salvador em alto relevo – A parte do altar com frontal de vidro tudo, avaliado, em sessenta mil reis. Ofício n.º 143, P. 571, L.º 7, de 2-04-1909.
Ainda, Ofício n.º 143, P. 571, L.º 7, de 2-04-1909. Actual 22/M
N.º 9/178 – Um oratório em talha dourada e porta de vidro, com decoração com aves comendo frutos e 2 cabeças de anjos, de qual fazem parte - uma cornija ou sanefão de grande formato em talha dourada – e mais seis peças decorativas em relevo dourado, tudo avaliado em trinta e cinco mil réis. Neste oratório estiveram as imagens de S. José e N.ª Sr.ª.
N.º 10/186 – Um relicário em talha dourada onde estiveram dois Meninos Jesus de marfim com quatro compartimentos; sendo um grande ao centro e dois de cada lado, ornado de florões; aves comendo frutos e duas cabeças de anjo nas colunas laterais. Fazem parte deste relicário: uma cornija dourada lisa – 2 anjos em escultura com escudos ao lado – uma aguia em cima de uma cabeça de anjo – dois ornatos com rafaellas [sic] em talha dourada – e um oratório mais pequeno em forma horizontal, tudo em talha dourada. Avaliado tudo em cinquenta mil reis.
Incorporação: Transferência do Convento de São João Evangelista das Carmelitas Descalças de Aveiro por Disposição Legal, com arrolamento dos bens por despacho da Direção Geral dos Próprios Nacionais, datada de 20 de janeiro de 1906.
Centro de Fabrico: Desconhecido
Bibliografia
SOUTO, Alberto - Roteiro do Museu de Aveiro. Aveiro: 1926
BELINQUETE, José Martins. "As Carmelitas em Aveiro – Ontem e Hoje". Aveiro: Edições Sinai, 1996
Loureiro, João José, "Retábulos da Ordem dos Carmelitas Descalços", Promontória Monográfica, Universidade do Algarve: Departamento de Artes e Humanidades. Ordem dos Carmelitas Descalços. 11, 2015.
A TALHA EM PORTUGAL. Exposição de Documentação Fotográfica. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa. 1963.