Cabeção do Arreio de Montada à Gaúcho (rural)

  • Museu: Museu Nacional dos Coches
  • Nº de Inventário: A 1677
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Meios de transporte
  • Autor: Autor desconhecido (-)
  • Datação: 1885/1900
  • Técnica: Prata fundida, repuxada e cinzelada.
  • Dimensões (cm): Comp. 62 x Alt. 20 x Larg. c. 19
  • Descrição: Cabeção em couro branco, reforçado nas extremidades por segmentos de couro fino entrançado e aplicações de prata em meia-cana. Estas, são decoradas com dois pares de frisos perlados, separados entre si por anel liso. A unir as diversas partes constitutivas do cabeção, um medalhão circular de fundo puncionado, ornamentado com motivos vegetalistas levemente relevados (rosa com três folhas), enquadrados por cercadura perlada. Estes medalhões, em número de cinco, assentam sobre argola de prata maciça com 45 mm de diâmetro, com excepção da que se encontra a meio da testeira e que mede 37 mm. O cabeção possui ainda duas argolas de prata, às quais se ligam as rédeas do freio.
  • Origem/Historial: Arreio gaúcho oferecido a D. Carlos de Portugal pelo presidente do Estado do Rio Grande do Sul (Brasil), Dr. Borges de Medeiros, por intermédio do Ministro de Portugal no Brasil. A sela gaúcha é a única que não possui arções de madeira, o que se explica pela escassez de matérias-primas na "pampa" sul-americana. Em tempos mais remotos, a sela era construída pelo próprio gaúcho que, apesar das reais dificuldades económicas, empenhava o pouco que possuía no cavalo, seu único instrumento de trabalho e fonte de rendimentos. Para além de transporte, cama e alimento, o cavalo fornecia ainda o couro que era utilizado naconstrução da sela - "recado" -, sobretudo nos "bastos de laderas", ou seja, os legítimos substitutos dos arções. Colocadas sobre a manta e o suadouro, estas protuberâncias eram por último cobertas com um rectângulo de couro a que se dá o nome de "encimera", fixo por meio de uma correia larga (cerca de 20 cm), que ajudava a consolidar as diferentes partes constitutivas da sela. Os loros, suspensos da "encimera", posicionavam os estribos perpendicularmente em relação ao assento. O selim e o respectivo arreio gaúcho que integram o espólio do M.N.C. são peças de grande luxo, a avaliar pela quantidade de prata utilizada na sua decoração. Constituíam propriedade particular da Família Real Portuguesa antes de darem entrada no Museu.
  • Incorporação: Transferência do Palácio das Necessidades (Lisboa).

Bibliografia

  • FREIRE, Luciano - Catálogo Descritivo e Ilustrado do Museu Nacional dos Coches. Lisboa: 1923
  • KEIL, Luís - Catálogo do Museu Nacional dos Coches, 1943. Lisboa: 1943