Técnica: Talha e ensamblagem de elementos através de encaixes topo a topo (encaixe português)
Dimensões (cm): Alt. 920 x Larg. 120 x Diâm. 6
Descrição: Colunelo com pedestal: peça constituida por três elementos - base, fuste e o capitel.
Fuste: peça tridimensional de secção circular, em forma de coluna, tendo o 1º terço inferior decorado com pontas de diamante, de fino entalhe e estilizadas; tem círculos concêntricos a fechar a composição vegetalista no toro inferior e superior; os 2/3 superiores do fuste são estriados na vertical; remata com capitel coríntio. Na parte posterior do colunelo corre na vertical uma banda sem entalhe algum o que denota a su integração numa estrutura plana na retaguarda.
Ao verso da peça adossa uma tábua plana colocada a toda a altura da peça.
A base ou plinto de suporte do colunelo é de seção quadrangular; tem uma face lisa no tardoz e três faces entalhadas formando molduras rectilíneas com óvalos entalhados no friso; interior com ponta de diamante facetado e longitudinal envolto em folhagens de fino entalhe.
Peça tridimensional de secção circular tendo o 1º terço inferior decorado com ramagens entrelaçadas e estilizadas; os 2/3 superiores do fuste são estriados na vertical; remata com capitel coríntio; tem pedestal de secção quadrangular e faces laterais rectangulares idêntica às c/ Nº inv. 76/M, 77/M, 78/M, até à 85/M).
Origem/Historial: O Mosteiro da Madre de Deus de Sá - amortização dos bens e direitos prediais
Deste período histórico em que situamos o Mosteiro da Madre de Deus de Sá, desde a sua fundação em 1644 até à sua extinção em 1885, muitas foram as transformações sociais, políticas e económicas refletidas na vida deste mosteiro. Após a extinção das Ordens Religiosas, por força de lei emanada no Decreto de 30 de Maio de 1834 e acrescentando a esta lei o decreto do Ministério e Secretaria de Estado dos Negócios da fazenda, de 1862, que regulou a lei da extinção de 1861 dirigida á amortização dos bens e direitos prediais pertencentes às Igrejas e corporações religiosas, foi neste último documento registado então, que os bens do Convento da Madre de Deus de Sá fossem incorporados na Fazenda Pública ficando o Convento funcional até à morte da última freira. De acordo com a obra “A Extinção do Convento de Sá em Aveiro – e os Jornaes Portuguezes Religioso – Políticos” (Pina, 1886:5) e tendo em conta os recentes estudos elaborados por Hugo Calão (Rocha, 2009:94-97), a última Abadessa do Convento de Sá e última freira Anna Benedita de São Miguel recebeu o subsídio mensal, com direito à soma de todos os meses em débito desde a extinção do convento decretada a 25 de Junho de 1885, na importância de 40$000 (quarenta mil reis). Este subsídio destinava-se à sua sustentação, já que terá sido obrigada a sair do Convento de Sá para Fermelã, onde faleceu a 29 de Setembro de 1889, na freguesia de São Miguel de Fermelã (Pina, 1886: 91-92). Provavelmente, esta saída terá sido forçada após o incêndio ocorrido no Convento na noite de 11 para 12 de Janeiro de 1882.
Incorporação: Transferência do Convento de Sá de Aveiro para o Museu de Aveiro
Um cadeirado: podemos ainda aferir que os painéis relevados que se expõem enquadrados entre os dois pares de colunas de fuste espiralado (sala 7) no Museu de Aveiro, Santa Joana são painéis que constituiriam, hipoteticamente, a zona do espaldar do cadeirado de Sá. Sabemos pelo documento elaborado pelo presidente da Comissão encarregada de organizar o Museu Regional de Aveiro, Jaime Magalhães Lima, em 11/07/1912, que este reclama a entrega ao Museu de um cadeirado:
“o cadeirado do coro, e imagens e outros objetos que pertenceram ao Convento da Nossa senhora da Madre de Deus de Sá” (Direção Geral da Fazenda Pública, Proc: 2739 / 22, de 2 de Julho de 1912).
Este cadeiral estaria na posse da Junta de Paróquia da Freguesia da Vera Cruz, e terá sido entregue à Comissão do Museu de Aveiro em 12 de Outubro de 1912 . Ensaiamos uma composição possível de união entre elementos verticais, pilastras de fuste relevado e seção quadrangular intercalando com painéis relevados, figurativos, em alto-relevo, que poderiam ter formado o espaldar do cadeiral do coro alto do Convento de Sá
Bibliografia
GOMES, J. Marques - "História do Museu Regional de Aveiro (1911-1921)". Aveiro: Campeão das Prov¿incias, 1921
Pina, Manuel Correia de Bastos (1886). “A Extinção do Convento de Sá em Aveiro – e os Jornaes Portuguezes Religioso – Políticos”, Ed.Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra