Técnica: Talha e ensamblagem de elementos através de encaixes topo a topo (encaixe português)
Dimensões (cm): Alt. 86 x Prof. 7,5
Descrição: Peça tridimensional, paralelepipédica e de secção quadrangular definindo uma pilastra entalhada na madeira; tem quatro faces, sendo a do tardoz lisa e sem entalhes; as três faces do fuste - a frontal e as duas laterais - têm moldura lisa com enquadramento de um friso decorado com flores encadeadas, trifolios, que se sobrepõem umas sobre as outras formando uma grinalda;
Simbologia floral:
o fuste tem as duas faces posteriores entalhadas e decoradas com elementos florais, margaridas, desenhando um padrãp repetitivo, linear, delimitado por moldura em meia-cana; as duas faces opostas são parcealmente relevadas sendo a face interior - a que liga a um painel intercalar - lisa;
remata com moldura avançada em ducina invertida e relevada.
Esta estrutura denota fazer parte de um conjunto maior em forma de espaldar de cadeirado.
Origem/Historial: Um cadeirado: podemos ainda aferir que os painéis relevados que se expõem enquadrados entre os dois pares de colunas de fuste espiralado (sala 7) no Museu de Aveiro, Santa Joana são painéis que constituiriam, hipoteticamente, a zona do espaldar do cadeirado de Sá, no qual se intergrariam um conjunto de pilastras e colunelos.
Sabemos pelo documento elaborado pelo presidente da Comissão encarregada de organizar o Museu Regional de Aveiro, Jaime Magalhães Lima, em 11/07/1912, que este reclama a entrega ao Museu de um cadeirado:
“o cadeirado do coro, e imagens e outros objetos que pertenceram ao Convento da Nossa senhora da Madre de Deus de Sá” (Direção Geral da Fazenda Pública, Proc: 2739 / 22, de 2 de Julho de 1912).
Este cadeiral estaria na posse da Junta de Paróquia da Freguesia da Vera Cruz, e terá sido entregue à Comissão do Museu de Aveiro em 12 de Outubro de 1912 . Ensaiamos uma composição possível de união entre elementos verticais, pilastras de fuste relevado e seção quadrangular intercalando com painéis relevados, figurativos, em alto-relevo, que poderiam ter formado o espaldar do cadeiral do coro alto do Convento de Sá
Incorporação: Transferência do Convento de Sá, da Madre de Deus de Aveiro para o Museu de Aveiro;
Motivados pelo valor patrimonial dos bens em reserva provenientes do Convento de Sá, foi redigido pelo Aveirense Jaime Magalhães Lima um documento reclamando a transferência destes bens do Convento de Sá para o museu. Magalhães Lima apresentou-se na condição de presidente da Comissão local encarregada de organizar no extinto Convento de Jesus de Aveiro um Museu, reclamando o direito aos objetos que haviam pertencido ao Convento de Nossa Senhora da Madre de Deus de Sá por estes serem igualmente pertença do Estado português, e por se encontrarem em depósito na paróquia da Vera Cruz e arrecadados em más condições e em degradação. Assim, pedia este aveirense a sua inclusão no património do Museu Regional de Aveiro. Esta petição escrita foi redigida e enviada por Jaime Magalhães Lima a 28 de Junho de 1912 (documento fotocopiado em Arquivo no MA), tendo sido positivamente aceite, resultando na entrada de grande parte destes bens no acervo museológico.
Bibliografia
GOMES, J. Marques - "História do Museu Regional de Aveiro (1911-1921)". Aveiro: Campeão das Prov¿incias, 1921
Pina, Manuel Correia de Bastos (1886). “A Extinção do Convento de Sá em Aveiro – e os Jornaes Portuguezes Religioso – Políticos”, Ed.Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra