São João Baptista

  • Museu: Museu de Aveiro
  • Nº de Inventário: 93/M
  • Super Categoria: Arte
  • Categoria: Escultura
  • Autor: Autor desconhecido; (Entalhador) Ferreira, Pedro Monteiro (Pintor / Dourador)
  • Datação: Século 17
  • Suporte: Madeira de castanho
  • Técnica: Talha e ensamblagem de elementos através de encaixes topo a topo (encaixe português)
  • Dimensões (cm): Alt. 85 x Larg. 29 x Diâm. 6
  • Descrição: Peça tridimensional composta por um painel rectangular, entalhado em alto relevo, e de leitura vertical; Painel rectangular decorada com composição figurativa representando ao centro do painel São João Baptista e respectivos atributos / simbologia: no regaço um livro aberto apoiado sobre o braço esquerdo e uma vara com cruz e flâmula a interceptar o braço direito; a perna esquerda avançada e ligeiramente flectida tendo visível o joelho e a perna direita recuada; no lado esquerdo da composição encontra-se representado em alto relevo a figura de um cordeiro assente sobre rochedos e encimado por duas àrvores, (sobreiros ou pinheiros mansos) destacando-se do plano de fundo o desenho da vegetação em forma de círculos organizados em torno do tronco; A composição está enquadrada por elementos naturalistas; à direita uma árvore com tronco filiforme, raízes pontiagudas sobre rochedo e copa em forma de círculos agrupados em dois e escalonados ao longo do tronco; colocadas de forma escalonada e nos extermos laterais da composição; são rematadas por capiteis acantiformes com moldura de oválos e perspectivados; as pilastras recuadas rematam com arco de volta perfeita, fecho central em forma de consolo com enrolamento e perlado ao centro; do lado direito representação relevada de Cristo (busto) envolto por nuvens e três cabeças de anjo aladas; do lado esquerdo escudo com campo liso e coroado; a encimar esta composição um friso contínuo com motivos entalhados em forma de capelas. Síntese: Representação icónica do pai eterno ladeado de 3 anjos, colocados no canto sup. esq. do painel; composição de paisagem árida,um deserto, c/ chão rochoso e três árvores imitando copa de sobreiro ou pinheiro manso; copas de árvore arrendondadas e colocadas sobre troncos; misulas inferiores colocadas em consolo, avançadas e em forma de acanto; um agnus-dei relevado; à direita da composição uma Cruz e uma bandeira ondeante figuram como atributos deste Santo.
  • Origem/Historial: Ver artigo publicado em 2019 na Revista de História da Sociedade e da Cultura, do Centro de História da Sociedade e da Cultura da Imprensa da Universidade de Coimbra.
  • Incorporação: Transferência do Convento de Sá de Aveiro para o Museu de Aveiro; Deste período histórico em que situamos o Mosteiro da Madre de Deus de Sá, desde a sua fundação em 1644 até à sua extinção em 1885, muitas foram as transformações sociais, políticas e económicas refletidas na vida deste mosteiro. Após a extinção das Ordens Religiosas, por força de lei emanada no Decreto de 30 de Maio de 1834 e acrescentando a esta lei o decreto do Ministério e Secretaria de Estado dos Negócios da fazenda, de 1862, que regulou a lei da extinção de 1861 dirigida á amortização dos bens e direitos prediais pertencentes às Igrejas e corporações religiosas, foi neste último documento registado então, que os bens do Convento da Madre de Deus de Sá fossem incorporados na Fazenda Pública ficando o Convento funcional até à morte da última freira. De acordo com a obra “A Extinção do Convento de Sá em Aveiro – e os Jornaes Portuguezes Religioso – Políticos” (Pina, 1886:5) e tendo em conta os recentes estudos elaborados por Hugo Calão (Rocha, 2009:94-97), a última Abadessa do Convento de Sá e última freira Anna Benedita de São Miguel recebeu o subsídio mensal, com direito à soma de todos os meses em débito desde a extinção do convento decretada a 25 de Junho de 1885, na importância de 40$000 (quarenta mil reis). Este subsídio destinava-se à sua sustentação, já que terá sido obrigada a sair do Convento de Sá para Fermelã, onde faleceu a 29 de Setembro de 1889, na freguesia de São Miguel de Fermelã (Pina, 1886: 91-92). Provavelmente, esta saída terá sido forçada após o incêndio ocorrido no Convento na noite de 11 para 12 de Janeiro de 1882.

Bibliografia

  • ROCHA, Hugo Cálão - O Convento da Madre de Deus de Sá em Aveiro: Dos objectos às devoções - um espólio do Museu de Aveiro, (relatório final de estágio do Mestrado em História e Património (ramo de especialização em Mediação Patrimonial) da Fac. Letras da U.P.. Porto: Fac. Letras U.P. (policopiado), 2009
  • Pina, Manuel Correia de Bastos (1886). “A Extinção do Convento de Sá em Aveiro – e os Jornaes Portuguezes Religioso – Políticos”, Ed.Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra
  • Cardoso, Maria da Luz Nolasco (2019). "O Retábulo do Convento da Madre de Deus de Sá.Conjunto de Retábulo e Sacrário em Exposição Permanente, Museu de Aveiro, Santa Joana", Revista de História da Sociedade e da Cultura, 19, https://doi.org/10.14195/1645-2259_19_33

Exposições

  • Exposição Permanente do Museu de Aveiro / Santa Joana

    • Exposição Física

Obras relacionadas

Multimédia

  • Figura 19 - Representação de São João Baptista, integrada nos paineis de espaldar do cadeirado.JPG

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  • Figura 18 - Representação do Agnus Dei, figuração patente num dos paineis do cadeirado.JPG

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